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HRR realiza primeira embolização de fístula carótido-cavernosa

07 de JULHO de 2021

Por Mônica Bockor

César Augusto Santos Hessel, de 31 anos, foi o primeiro paciente a passar por uma embolização de fístula carótido-cavernosa no Hospital Regional de Registro (HRR). O procedimento bem sucedido foi realizado na segunda-feira, 21 de junho, pela equipe de neurocirurgia da Unidade. 
A fístula carótido-cavernosa não é comum e, no caso do César, provavelmente se originou devido a um trauma (há três anos ele sofreu dois tiros na cabeça em um assalto). Consultor de vendas em Sorocaba, ele conta que não foi possível remover os projéteis. Até um mês atrás, César não teve qualquer sequela ou sintoma. “Há um mês, eu estava fritando batata na cozinha quando escorreguei. Ao cair, bati o globo ocular na quina da pia. No Pronto Atendimento, realizaram um raio-x, mas não constataram nada. No dia seguinte, acordei com o olho inchado e torto”, revela. Após fazer exames de tomografia com contraste e arteriografia, veio o diagnóstico e César foi encaminhado ao HRR para realizar o procedimento de embolização. 
A fístula carótido-cavernosa é uma comunicação patológica (anormal) entre a artéria carótida (principal artéria do cérebro) e o seio cavernoso (uma estrutura venosa, especial, por dentro da qual passa sangue venoso oriundo do cérebro e mais alguns nervos cranianos e a própria artéria carótida). A principal causa da fístula é o trauma, que provoca a lesão na carótida exatamente no segmento em que ela passa dentro do seio cavernoso.
Ela pode provocar perda da visão, perda da movimentação do olho acometido, dor ocular, deformidade ocular (exoftálmico), edema nas pálpebras e na conjuntiva e, em última análise, trombose ou sangramento cerebral. 
Segundo o neurocirurgião do HRR, Dr. Daniel França, antes da técnica endovascular o tratamento da fístula era a oclusão da carótida, ou seja, fechar cirurgicamente a carótida e deixar todo o cérebro ser irrigado apenas pela carótida contralateral. “Com a técnica endovascular, consegue-se fechar a fístula e reconstruir a carótida, preservando-a e melhorando a circulação cerebral”, explica o médico. 
A expectativa, após a cirurgia, é que o olho acometido pela fístula volte a se movimentar com o tempo. “Também esperamos que a acuidade visual volte ao normal. Só não sabemos quanto tempo vai demorar e se a recuperação será total ou parcial. Mas, como ele já teve melhora no pós-operatório imediato, a chance de recuperação total ou subtotal é grande”, revela o Dr. Daniel.



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