I Simpósio

02 de DEZEMBRO de 2017

Por Olenka Lasevitch

O Instituto Sócrates Guanaes, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, organizou o I Simpósio “Revitaliza Rio, Reanima Saúde”, no dia 1º de dezembro, no Rio de Janeiro. Cerca de 100 pessoas, entre médicos, administradores, professores e diretores de hospitais públicos e privados, entre outras lideranças da saúde, estiveram presentes. O evento é o primeiro de uma série que vai debater o que pode ser feito pela saúde do Rio de Janeiro e pela melhoria da qualidade de vida dos cidadãos por meio das parcerias com o terceiro setor (OSS) e as público privadas. 

O evento contou com três mesas, incluindo um palestrante e dois debatedores, cada.

O Secretário Estadual de Saúde do Rio, Luiz Antonio Teixeira Jr, participou da primeira mesa, intitulada “O que podemos fazer pela saúde do Rio?”, que contou ainda com comentários do Diretor Geral dos Hospitais Federais, Marcus Vinicius, e do Professor da Fundação Verzolini, Daniel Simões. O Secretário apresentou os desafios e soluções na gestão de saúde pública. Entre estes desafios estão a baixa escolaridade e baixo nível de informação da população, baixo nível de saneamento e alto nível de casos de tuberculose. Chamou a atenção também para a baixa qualificação dos gestores públicos, já que os profissionais mais qualificados são capturados pela iniciativa privada e evitam a vida pública diante dos constantes impactos éticos. O Secretário abordou a universalidade X integralidade do sistema brasileiro, lembrando que, além deste ainda ser jovem e estar em formação, existe a questão dos custos da saúde. Segundo Luiz Antônio, 55% dos recursos da saúde são privados e atendem a 25% da população. Para a saúde pública ficam os 45% restantes de recursos para atender 75% da população. “Por isso não é possível fornecer tudo a todos a toda hora”, disse o Secretário, lembrando, ainda, que o estado do Rio é o único no Brasil a administrar UPAs. “São 30 no total”. Existe, ainda, a questão da judicialização complexa que muitas vezes é devida às demandas errôneas dos próprios profissionais de saúde. Mesmo diante das adversidades, no entanto, existem boas notícias e soluções que podem ser adotadas. Segundo ele, em 2017 o estado do Rio vai bater o recorde de transplantes da sua história, mesmo diante de toda a crise econômica. Para finalizar, o Secretário apontou como caminhos a busca pela prevalência de ações de saúde sobre ações de doenças por meio do financiamento em prol da saúde; a revisão da Lei de Responsabilidade Fiscal para ampliar os investimentos na saúde; profissionais das varas de saúde (juízes, promotores) mais atentos às reais necessidades; rubricas de investimentos pelo BNDES no setor de saúde, cujas ações hoje são financiadas pelo Ministério da Saúde e regras claras para as diversas competências municipais, estaduais e federais. O Secretário finalizou apontando que foi necessário fazer cortes de R$ 1.4 bilhões na saúde do estado em 2017 para que esta pudesse ser viável. Finalmente, ressaltou que não existem caminhos hoje para a saúde que não passem pelas OSS.

A segunda mesa, “Sustentabilidade e Soluções para a Saúde”, contou com palestra do Consultor Clemente Nóbrega e comentários dos debatedores Josier Vilar – Presidente da Câmara Setorial de Saúde da Câmara Empresarial do Rio de Janeiro, e de Fatima Bayma – Professora do Mestrado e Doutorado em Administração da FGV. Clemente Nóbrega abordou o sistema de saúde como um universo complexo, com atores interdependentes. “Mas isso não é só no Brasil. O que ocorre aqui é que a população não se preparou para as mudanças que aconteceram no país”, afirma, lembrando que ficamos focados nos temas errados da saúde, quando é urgente focarmos nos certos. “No sistema de saúde brasileiro eu só ganho se você perde”. Há falta de alocação do recurso certo no tempo certo e no momento certo e tudo isso é consequência de um jogo errado.  Para Nóbrega, a saúde pública pode liderar movimentos com foco em prevenção e arranjos do tipo  Accountable Care Organization (ACO). Com jogos que sempre somam zero, o sistema não se sustenta e não há incentivos para mudar o comportamento dos beneficiários, pois não são eles que pagam. Para Clemente, são necessário novos arranjos com foco em oportunidades para garantir valor com a estrutura que temos. “O cuidado primário pode ser um bom negócio, cuidando do cliente para que ele fique bom ou nem fique doente”.

Na terceira e última mesa, sobre “Parceria Viável para Melhoria e Qualidade em Saúde”, o Presidente do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), Renilson Rehem, abordou uma pesquisa desenvolvida pela CNI afirmando que o principal problema do Brasil, na visão dos respondentes, é o desemprego. Em segundo lugar, empatados, vêm a corrupção e a saúde. Para ele, os principais desafios na saúde hoje são o déficit do financiamento, o envelhecimento da população, a incorporação de novas tecnologias e os altos custos. Renilson ressaltou que as necessidades são crescentes e os custos limitados, um problema que só tende a aumentar. “A demanda assistencial só vai crescer, por mais que se atue na promoção e prevenção, fazendo com que o sistema fique ainda mais complexo”. O Presidente do IBROSS acredita que é preciso melhorar a gerência das unidades e que a parceria do estado com o terceiro setor é viável e necessária. “Uma parceria é um arranjo em busca de interesses comuns. Exige planejamento e competência”. Ele finaliza lembrando que os ganhos para a gestão pública, com a parceria, são muitos: transparência; maior agilidade na contratação e bens, serviços e pessoas; previsibilidade de gastos; satisfação dos usuários e funcionários e maior produtividade. “Esta parceria é parte da solução da crise no sistema público de saúde”.

A última mesa contou com debate da Coordenadora Geral dos Contratos de Gestão da Organização Social Viva Rio, Maria Juraci Dutra, que ressaltou a importância da continuidade na gestão pública ao invés do eterno recomeço que só traz retrocesso ao estado e à saúde. A mesa contou também com o Fundador e Superintendente Técnico Científico do ISG, Dr.André Guanaes, que convocou o público presente a sair da imobilidade diante da crise. “Como a sociedade em si pode ser tão alienada e parada? O Rio é nosso. Esta indignação foi o início do desenvolvimento da ideia desse simpósio”. Segundo ele, há problemas de financiamento, sim, mas antes há má gestão. “O dinheiro é pouco e dele 1/3 se desvia e outro 1/3 se gasta mal. Vamos começar a fazer o óbvio bem feito. Parece pouco, mas não é. Depois do óbvio bem feito podemos partir para outros passos”.

 




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